Matriz de perigos e riscos de SST: como montar por atividade

Perigo por tarefa, probabilidade × severidade, risco residual e as medidas na ordem que a NR-1 pede.

✅ Resumo direto

A matriz de perigos e riscos de SST é a tabela que lista, para cada atividade, os perigos, os riscos à saúde e à integridade do trabalhador e o nível de cada risco, calculado por probabilidade × severidade. Para montar: liste as atividades, identifique os perigos, gradue o risco numa escala definida (a 5×5 é a mais comum), escolha medidas pela hierarquia de controle da NR-1 e reavalie o risco residual.

O que é uma matriz de perigos e riscos de SST?

A matriz de perigos e riscos de SST (segurança e saúde no trabalho) é a ferramenta que mostra onde o trabalhador pode se machucar ou adoecer e qual risco vem primeiro. Cada linha é um perigo de uma atividade; as colunas trazem o risco, o nível e as medidas.

Ela não é a mesma coisa que a matriz de risco 5×5 da ISO 31000. Aquela trata dos riscos do negócio, como perder um cliente ou atrasar uma entrega, e atende a cláusula 6.1 da ABNT NBR ISO 9001:2015. A matriz de SST trata do risco ocupacional, e a régua de severidade é o dano à pessoa.

Qual a diferença entre perigo e risco?

Perigo é a fonte ou situação que pode causar dano, e risco é a chance de o dano acontecer combinada com o tamanho dele (NR-1, Anexo I — termos e definições). A serra circular sem proteção é o perigo; o corte na mão é o dano; o risco depende de quantas vezes alguém usa a serra e de quão grave seria o corte.

Separar os dois evita um erro clássico: escrever "risco de acidente" como perigo. Perigo é concreto e visível no posto de trabalho.

Como montar a matriz de perigos e riscos passo a passo?

Monte a matriz percorrendo o local de trabalho atividade por atividade, junto com quem executa cada uma. A sequência:

  1. 1

    Liste as atividades

    Por unidade e setor: operar a prensa, abastecer a linha, limpar o tanque, descarregar o caminhão.

  2. 2

    Identifique os perigos de cada atividade

    Físicos, químicos, biológicos, ergonômicos, de acidente e psicossociais (estes incluídos na NR-1 pela Portaria MTE 1.419/2024). Anote a fonte, quem fica exposto e com que frequência.

  3. 3

    Descreva o risco

    O dano possível: perda auditiva, corte, queda, intoxicação, lombalgia.

  4. 4

    Gradue probabilidade e severidade

    Com a escala definida pela empresa, considerando os controles que já existem.

  5. 5

    Classifique o nível

    Multiplique e veja a faixa: baixo, moderado, alto ou crítico.

  6. 6

    Defina as medidas

    Pela hierarquia de controle, com responsável e prazo.

  7. 7

    Reavalie o risco residual

    Depois das medidas, gradue de novo e marque a próxima revisão.

Como funciona a matriz probabilidade × severidade 5×5?

Na matriz 5×5, a probabilidade e a severidade recebem notas de 1 a 5, e o nível de risco é a multiplicação das duas, de 1 a 25. A NR-1 (item 1.5.4.4.2) pede que o nível de risco combine a severidade do dano com a probabilidade de ocorrência; a escala exata quem define é a empresa, por escrito. A tabela abaixo é um exemplo de escala, não texto da norma:

NotaProbabilidadeSeveridade
1Raro: só em situação excepcionalInsignificante: sem lesão ou só desconforto
2Improvável: não é esperadoLeve: primeiros socorros, sem afastamento
3Possível: pode ocorrer algumas vezesModerada: lesão com afastamento temporário
4Provável: deve ocorrer na maioria das vezesGrave: lesão incapacitante ou doença grave
5Quase certo: ocorre com frequênciaCatastrófica: morte ou incapacidade permanente

Uma régua comum de faixas é: 1 a 4 baixo, 5 a 9 moderado, 10 a 15 alto e 16 a 25 crítico. Na prática, risco crítico costuma pedir a parada da atividade até reduzir o risco, e risco alto, medidas prioritárias com prazo curto.

O que é a hierarquia de controle da NR-1?

A hierarquia de controle é a ordem em que as medidas de prevenção devem ser escolhidas, definida na NR-1, item 1.4.1 alínea "g". A ordem é:

  1. Eliminar o fator de risco.
  2. Reduzir com medidas de proteção coletiva (enclausurar a máquina, instalar exaustão, colocar guarda-corpo).
  3. Reduzir com medidas administrativas ou de organização do trabalho (rodízio, procedimento, sinalização, treinamento).
  4. Usar equipamento de proteção individual (EPI), conforme a NR-6.

EPI não é proibido; ele só não pode ser a primeira resposta sem que as três etapas anteriores tenham sido avaliadas. Muitas empresas ainda registram a substituição, como trocar um produto químico por outro menos tóxico, como um degrau entre eliminar e proteger coletivamente.

O que é risco residual e por que reavaliar?

Risco residual é o nível de risco que sobra depois que as medidas de controle foram aplicadas. Ele prova se as medidas funcionaram.

Guarde os dois números na mesma linha: o risco inerente (antes das medidas novas) e o residual (depois). Se o residual continua alto, a medida escolhida estava baixa demais na hierarquia.

Exemplo de linha da matriz de perigos e riscos

Exemplo ilustrativo: setor de embalagem, atividade "alimentar a seladora". Perigo: ruído contínuo da seladora e do compressor. Risco: perda auditiva. Expostos: 4 operadores, exposição habitual. Avaliação inicial: probabilidade 4 × severidade 3 = 12, alto. Medidas: enclausurar o compressor (proteção coletiva), rodízio de posto (administrativa) e protetor auricular enquanto as outras não ficam prontas (EPI). Reavaliação: probabilidade 2 × severidade 3 = 6, moderado. Próxima revisão marcada.

Erros comuns na matriz de perigos e riscos

  • Escrever o risco no lugar do perigo ("risco de acidente").
  • Montar a matriz no escritório, sem ouvir quem faz a atividade.
  • Começar as medidas pelo EPI.
  • Não registrar o risco residual e nunca reavaliar.
  • Usar uma régua de notas que ninguém sabe explicar ou que muda a cada avaliação.

Como o QualitControl ajuda a montar a matriz de SST?

O módulo Matriz de Risco (SST) do QualitControl organiza perigos e riscos por atividade com estas funções:

  • A matriz 5×5 é clicável: probabilidade × severidade (NR-1 1.5.4.4.2), com a régua de faixas configurável pela empresa. Matriz 4×4, 3×3 e os métodos William Fine e GUT também estão disponíveis.
  • Cada risco guarda unidade, setor, atividade, tipo de agente, perigo, risco, expostos e frequência, além do risco residual depois das medidas; a grade mostra a visão inerente e a residual.
  • As medidas são classificadas pela hierarquia da NR-1 1.4.1 g) e viram plano de ação com responsável e prazo.
  • Uma biblioteca de perigos comuns completa perigo, risco e referência normativa.
  • Os trabalhadores apontam perigos pelo celular, por um link de "sugerir perigo"; o apontamento entra na matriz como "a avaliar" para a segurança do trabalho graduar (NR-1 1.5.3.3).
  • A matriz importa planilha (.xlsx ou .csv) e imprime em A4 paisagem, filtrada por unidade, setor ou nível.

A matriz por atividade, apresentada na página de Segurança do Trabalho, é independente do inventário de riscos do PGR, que fica no módulo Riscos Ocupacionais. Para o inventário, veja o modelo de inventário de riscos ocupacionais.

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Fontes e referências

  • NR-1 — Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (Ministério do Trabalho e Emprego): item 1.4.1 alínea "g" (hierarquia das medidas de prevenção), item 1.5.3.3 (participação e consulta dos trabalhadores), item 1.5.4.4.2 (nível de risco pela combinação de severidade e probabilidade) e Anexo I (termos e definições).
  • Portaria MTE nº 1.419/2024 — inclusão dos fatores de risco psicossociais no gerenciamento de riscos da NR-1.
  • NR-6 — Equipamento de Proteção Individual, última etapa da hierarquia.
  • ABNT NBR ISO 9001:2015, cláusula 6.1 — ações para abordar riscos e oportunidades (citada só para diferenciar a matriz de riscos do negócio).
  • QualitControl — página de Segurança do Trabalho, com o módulo Matriz de Risco (SST).

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre perigo e risco?
Perigo é a fonte ou situação que pode causar lesão ou doença, como uma serra sem proteção ou um piso escorregadio. Risco é a combinação da probabilidade de o dano acontecer com a severidade desse dano, conforme as definições da NR-1 (Anexo I).
A NR-1 obriga a usar matriz de risco 5×5?
Não. A NR-1 pede que o nível de risco combine a severidade com a probabilidade (item 1.5.4.4.2), com critério definido e documentado pela empresa. A matriz 5×5 é uma forma comum de fazer isso, mas matrizes 3×3, 4×4 e outros métodos também podem ser usados.
O que é risco residual?
Risco residual é o nível de risco que sobra depois de aplicadas as medidas de controle. Ele mostra se as medidas funcionaram; se o residual continua alto, é preciso subir na hierarquia de controle.
Qual a ordem da hierarquia de controle na NR-1?
Pela NR-1, item 1.4.1 alínea g, a ordem é: eliminar o fator de risco; reduzir com proteção coletiva; reduzir com medidas administrativas ou de organização do trabalho; e, por último, usar equipamento de proteção individual (EPI).
Os trabalhadores podem apontar perigos?
Sim, e a NR-1 pede que a empresa consulte os trabalhadores quanto à percepção dos riscos (item 1.5.3.3). Um canal simples, como um formulário no celular, faz o apontamento chegar à segurança do trabalho para ser avaliado e entrar na matriz.
Matriz de perigos e riscos é o mesmo que inventário de riscos do PGR?
Não exatamente. O inventário de riscos do PGR segue o conteúdo mínimo exigido pela NR-1 para cada estabelecimento; a matriz por atividade detalha os perigos tarefa a tarefa e ajuda a priorizar ações. Uma serve de apoio à outra.

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