O inventário de riscos ocupacionais é a parte do PGR que lista, por estabelecimento, os perigos identificados e a avaliação de cada risco. O item 1.5.7.3.2 da NR-1 define as informações mínimas de cada linha, e as medidas devem seguir a hierarquia do item 1.4.1 "g": eliminar, proteger coletivamente, organizar o trabalho e, por último, EPI.
O que é o inventário de riscos ocupacionais?
O inventário de riscos ocupacionais é o documento do PGR que registra a identificação dos perigos e a avaliação dos riscos de cada estabelecimento (NR-1, itens 1.5.7.1 e 1.5.7.3.1). Ele é o diagnóstico: o que pode causar lesão ou doença, onde, em quem e com que gravidade.
O PGR tem, no mínimo, dois documentos: o inventário e o plano de ação, que é o tratamento. Se você ainda está montando o programa inteiro, comece pelo guia do PGR da NR-1.
Três regras para não esquecer:
- é feito por estabelecimento;
- deve ser mantido atualizado (item 1.5.7.3.3);
- o histórico das atualizações deve ser guardado por, no mínimo, 20 anos (item 1.5.7.3.3.1).
O que o inventário de riscos precisa conter?
O inventário de riscos precisa conter, para cada risco, as informações mínimas listadas no item 1.5.7.3.2 da NR-1: onde e em que atividade o risco existe, qual o perigo, o que pode causar, quem está exposto, o que já existe de controle e como o risco foi avaliado.
| Informação mínima | O que escrever |
|---|---|
| Processo ou ambiente de trabalho | Onde o risco existe: setor, área, linha |
| Atividade | O que a pessoa faz, e não só o nome do cargo |
| Perigo e possíveis fontes ou circunstâncias | O que pode causar dano e em que situação |
| Possíveis lesões ou agravos à saúde | O que pode acontecer com o trabalhador |
| Grupo de trabalhadores expostos | Quem está exposto e quantos são |
| Medidas de prevenção já implementadas | O que já existe hoje para controlar o risco |
| Caracterização da exposição | Como e com que frequência o grupo fica exposto |
| Dados da análise preliminar ou do monitoramento | Resultados das avaliações de agentes físicos, químicos e biológicos e da avaliação ergonômica (NR-17) |
| Avaliação e classificação do risco | Nível do risco, para definir a prioridade no plano de ação |
Registre também o critério usado para avaliar. Quem lê o inventário precisa entender por que um risco é "alto" e outro é "baixo".
Qual a diferença entre perigo e risco?
Perigo é a fonte ou situação que pode causar dano, e risco é a combinação da chance de o dano acontecer com a gravidade dele. A empilhadeira circulando no corredor é o perigo; a possibilidade de atropelar um pedestre, com a gravidade de uma fratura, é o risco. O inventário lista os perigos e avalia os riscos que eles geram.
Como avaliar e classificar cada risco?
Cada risco é avaliado com um critério definido pela própria organização e registrado no inventário, porque a NR-1 deixa a escolha da ferramenta para ela (NR-1, item 1.5.4.4.2.1). Uma forma comum é combinar severidade (o tamanho do dano possível) com probabilidade (a chance de acontecer, considerando as medidas que já existem) numa matriz. O resultado define a classificação: baixo, moderado, alto ou crítico, por exemplo. Veja como montar a régua na matriz de risco 5×5.
Qual é a hierarquia das medidas de controle?
A hierarquia das medidas de controle é a ordem obrigatória do item 1.4.1, alínea "g", da NR-1: eliminar o fator de risco, aplicar proteção coletiva, adotar medidas administrativas ou de organização do trabalho e, por último, usar EPI (equipamento de proteção individual).
| Nível | Medida | Exemplo |
|---|---|---|
| I | Eliminação do fator de risco | Trocar um produto químico perigoso por outro sem o perigo |
| II | Proteção coletiva | Guarda de máquina, exaustão, enclausuramento, barreira |
| III | Administrativa ou de organização do trabalho | Procedimento, rodízio, pausa, sinalização, limite de tempo de exposição |
| IV | Equipamento de proteção individual | Protetor auricular, luva, óculos |
O EPI entra quando a proteção coletiva for comprovadamente inviável, ou como medida complementar ou emergencial. Plano de ação que começa e termina em EPI inverte a hierarquia. Para o controle de entrega, veja a ficha de EPI da NR-6.
Como fazer o inventário de riscos passo a passo?
Para fazer o inventário de riscos, percorra cada estabelecimento, descreva as atividades, identifique os perigos com quem faz o trabalho, preencha as informações mínimas e classifique cada risco.
- Separe um inventário por estabelecimento.
- Liste processos, ambientes e atividades, visitando o local.
- Identifique os perigos de todos os tipos, incluindo os fatores psicossociais, ouvindo os trabalhadores.
- Preencha, para cada perigo, as informações mínimas do item 1.5.7.3.2.
- Avalie e classifique o risco pelo critério escolhido e registre esse critério.
- Leve os riscos que exigem controle para o plano de ação, na ordem da hierarquia.
- Guarde cada versão: o histórico precisa existir por 20 anos.
Como ficam as linhas de um inventário? (exemplo)
As linhas de um inventário descrevem cada risco com detalhe suficiente para quem não conhece o local entender. Exemplo ilustrativo, para mostrar o nível de detalhe; ajuste à sua realidade.
| Setor / atividade | Perigo e fonte | Possíveis lesões | Expostos | Medidas atuais | Nova medida (nível) |
|---|---|---|---|---|---|
| Expedição / movimentar paletes com empilhadeira | Atropelamento: empilhadeira e pedestres no mesmo corredor | Fraturas, esmagamento | Operadores e conferentes | Operador habilitado | Separar rota de pedestres com barreira física (II) |
| Cozinha industrial / fritura | Óleo quente: fritadeira sem tampa | Queimaduras | Cozinheiros | Luva térmica | Fritadeira com cesto e tampa (II) e procedimento de troca de óleo (III) |
| Atendimento / caixa | Sobrecarga: fila longa no pico, sem reposição de folgas | Ansiedade, esgotamento | Operadores de caixa | Nenhuma | Escala de pico dimensionada pelo movimento (III) |
Repare que a terceira linha é um fator psicossocial. Desde 26/05/2026 eles fazem parte do inventário. Veja como avaliar em riscos psicossociais na NR-1.
Quais os erros mais comuns no inventário?
Os erros mais comuns no inventário de riscos são juntar as informações numa coluna só e copiar perigos de outra empresa.
- Uma coluna "descrição geral" no lugar das informações separadas: a lesão possível some no texto.
- Perigo copiado de outro PGR, que a empresa não tem, e perigo real esquecido.
- Classificação sem critério escrito.
- Medidas atuais em branco, o que impede avaliar o risco residual.
- Planilha sobrescrita a cada revisão, sem histórico.
Como o QualitControl ajuda
O módulo Riscos Ocupacionais do QualitControl monta o inventário por estabelecimento, com um campo para cada informação do item 1.5.7.3.2, na ordem da norma.
- Biblioteca de perigos por atividade, com fonte típica, lesões possíveis e medidas sugeridas nos quatro níveis da hierarquia. O texto vira seu, para ajustar; uma atualização da biblioteca não mexe no seu inventário.
- Severidade × probabilidade com classificação automática e justificativa do critério.
- Ficha de cada risco para imprimir, com o campo em branco marcado em vermelho, em vez de escondido.
- Histórico: cada alteração guarda o estado anterior.
- Plano de ação com a hierarquia como campo obrigatório.
- Exportação em planilha com as colunas na ordem da norma.
O módulo Matriz de Risco (SST) complementa com perigos por atividade numa matriz 5×5 clicável e apontamento de perigos pelos próprios trabalhadores pelo celular. Veja a página de segurança do trabalho.
Fontes e referências
- NR-1, Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (Ministério do Trabalho e Emprego): item 1.4.1 "g" (ordem das medidas de prevenção), item 1.5.7.1 (documentos do PGR), item 1.5.7.3.1 (conteúdo do inventário), item 1.5.7.3.2 (informações mínimas), item 1.5.7.3.3 (atualização) e item 1.5.7.3.3.1 (histórico por 20 anos).
- NR-17, Ergonomia (Ministério do Trabalho e Emprego), para os resultados da avaliação ergonômica que entram no inventário.
- Portaria MTE nº 1.419/2024 e Portaria MTE nº 765/2025, sobre os fatores psicossociais.
- Sobre o inventário no sistema: QualitControl, segurança do trabalho.
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