Mapeamento de processos é a descrição de tudo o que a empresa faz, do pedido do cliente à entrega, mostrando para cada processo as entradas, saídas, responsável, recursos, riscos e indicadores. Na ISO 9001, o mapeamento atende à cláusula 4.4. O SIPOC mostra a cadeia entre os processos; o diagrama de tartaruga detalha cada processo por dentro.
O que a cláusula 4.4 da ISO 9001 exige?
A cláusula 4.4 da ISO 9001 exige que a empresa determine os processos do sistema de gestão da qualidade e defina, para cada um, os oito pontos da tabela abaixo (ABNT NBR ISO 9001:2015, 4.4.1). É a chamada abordagem por processos: olhar a empresa pelo caminho que o trabalho percorre até o cliente, e não só por departamentos.
| Alínea da 4.4.1 | O que determinar | Pergunta prática |
|---|---|---|
| a | Entradas e saídas | O que chega e o que sai? |
| b | Sequência e interação | De qual processo vem? Para qual vai? |
| c | Critérios, métodos e indicadores | Como sei que está funcionando? |
| d | Recursos | Pessoas, máquinas, sistemas, dinheiro |
| e | Responsabilidades e autoridades | Quem é o dono? |
| f | Riscos e oportunidades | O que pode dar errado ou melhor? |
| g | Avaliação e mudanças | O que fazer quando o processo muda? |
| h | Melhoria | O que já melhorou? |
A norma não manda usar um desenho específico. Ela cobra que essas informações existam e estejam em uso, e o mapa é a forma mais rápida de provar isso.
Como fazer o mapeamento de processos?
O mapeamento de processos é feito em seis passos: listar os macroprocessos, nomear os donos, montar o SIPOC, detalhar com a tartaruga, avaliar riscos e desenhar o mapa geral.
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Liste os macroprocessos
Macroprocesso é um grupo de atividades com um mesmo resultado. Separe em processos que entregam valor ao cliente (comercial, produção, entrega), de apoio (compras, RH, manutenção) e de gestão (análise crítica, auditoria interna).
- 2
Defina o dono de cada processo
O dono do processo é quem tem autoridade para mudá-lo e responde pelo resultado.
- 3
Monte o SIPOC
Para cada processo, preencha fornecedores, entradas, atividades, saídas e clientes.
- 4
Detalhe com a tartaruga
Recursos, pessoas, métodos e indicadores de cada processo, num quadro só.
- 5
Avalie riscos e oportunidades
Por atividade, registre o que pode falhar e o que pode melhorar. Os mais relevantes vão para a matriz de risco (ABNT NBR ISO 9001:2015, 6.1).
- 6
Desenhe o mapa geral
Uma página mostrando como os processos se ligam, do requisito do cliente à satisfação do cliente.
O que é SIPOC?
SIPOC é um quadro que mostra a cadeia de um processo em cinco colunas: fornecedores, entradas, processo, saídas e clientes. O nome vem das iniciais em inglês: Suppliers, Inputs, Process, Outputs, Customers. É uma ferramenta difundida na gestão por processos, sem norma própria.
Exemplo do processo de Compras de uma indústria:
| Fornecedor | Entrada | Processo | Saída | Cliente |
|---|---|---|---|---|
| Produção, Manutenção | Requisição de compra | Cotar, aprovar, emitir pedido | Pedido de compra | Fornecedor externo |
| Fornecedor externo | Material e nota fiscal | Receber e inspecionar | Material liberado | Almoxarifado, Produção |
Repare que o fornecedor e o cliente quase sempre são outros processos da própria empresa. Essa ligação é o que a norma chama de interação entre processos (ABNT NBR ISO 9001:2015, 4.4.1 b).
O que é o diagrama de tartaruga?
O diagrama de tartaruga é um quadro que detalha um único processo, com o processo no centro e seis perguntas em volta. É comum em auditorias de processo, principalmente na indústria automotiva. Assim como o SIPOC, é prática de mercado, e não exigência de norma.
- Entradas (cabeça): o que dispara o processo.
- Saídas (cauda): o que o processo entrega.
- Com o quê? Máquinas, instrumentos, sistemas, instalações.
- Com quem? Funções e competências necessárias.
- Como? Procedimentos, instruções e métodos.
- Quanto? Indicadores e metas do processo.
Quais indicadores usar em cada processo?
Cada processo precisa de pelo menos um indicador que mostre se ele entrega o resultado pretendido, com meta, frequência e responsável. A tabela traz exemplos comuns.
| Processo | Indicador |
|---|---|
| Comercial | Pedidos atendidos no prazo prometido |
| Produção | Taxa de refugo ou retrabalho |
| Compras | Lotes recebidos sem não conformidade |
| RH | Treinamentos do plano realizados |
| Qualidade | Ações corretivas encerradas no prazo |
Os resultados alimentam a análise crítica pela direção (ABNT NBR ISO 9001:2015, 9.3.2). Para mais ideias, veja os principais indicadores de qualidade.
Qual a diferença entre mapear em planilha e em sistema?
A planilha funciona bem para começar, e o sistema funciona melhor para manter o mapa atualizado com o tempo. Planilha e editor de fluxograma são conhecidos e não custam nada a mais.
O limite aparece depois: o indicador fica numa planilha, o risco em outra e o fluxograma num terceiro arquivo, e ninguém sabe qual versão vale. Um sistema só de documentos guarda o desenho, mas não liga o processo ao indicador e ao risco. Um sistema de gestão da qualidade mantém tudo no mesmo cadastro, com histórico.
Erros comuns no mapeamento de processos
- Mapear uma vez para a certificação e nunca mais abrir o mapa.
- Copiar o organograma e chamar de mapa de processos.
- Processo sem dono ou com dois donos.
- Indicador sem meta ou que ninguém analisa.
- Não mostrar de onde vêm as entradas e para onde vão as saídas.
Como o QualitControl ajuda
O item Processos do menu do QualitControl reúne, em abas na mesma tela, o mapa de processos, a análise crítica da direção e os indicadores por processo.
- O cadastro do processo guarda tipo (finalístico, apoio ou gerencial), dono, setor, entradas, saídas, recursos, riscos, oportunidades, indicador vinculado e documento de referência.
- As etapas do processo têm responsável, prazo (SLA), documentos de entrada e saída e o processo de origem e o posterior, que registram a interação no formato do SIPOC.
- O editor visual organiza o fluxograma das etapas arrastando os blocos.
- A análise de risco por atividade registra ameaças e oportunidades, ação, responsável e prazo.
- A importação traz a planilha de mapeamento de processos que a empresa já usa, e há modelos prontos para começar.
- A ajuda na própria tela explica cada campo para quem está mapeando pela primeira vez.
O sistema organiza e mantém o mapa atualizado. Quem decide quais são os processos e como funcionam continua sendo a empresa.
Fontes e referências
- ABNT NBR ISO 9001:2015, cláusula 4.4 (sistema de gestão da qualidade e seus processos).
- ABNT NBR ISO 9001:2015, cláusula 6.1 (ações para abordar riscos e oportunidades).
- ABNT NBR ISO 9001:2015, cláusula 6.3 (planejamento de mudanças).
- ABNT NBR ISO 9001:2015, cláusula 9.3 (análise crítica pela direção).
- SIPOC e diagrama de tartaruga: ferramentas de prática de mercado, sem norma própria.
- QualitControl: funcionalidades do sistema e catálogo de módulos.
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